Um majestoso salao de Congressos construido de raiz em tempo recorde!

 A Frelimo, desde a sua génese, foi atravessada por crises e desafios que em algum momento chegaram a pôr em causa a sua sobrevivência como formação política. Porém, a forma como esta organização tem sabido responder a estes desafios e crises, revigorando-se depois delas, impele-nos a supor que estas servem de catalisadores da sua autoafirmação.

A Frelimo tem dado provas de que em períodos de crise, consegue concentrar as suas forças e sobretudo recriar-se, moldando uma nova identidade pós-crise e por essa via renovar a esperança ora dispersada.

Como é evidente, a Frelimo sempre soube impor-se, apelando, a sua capacidade de ajustar-se aos momentos, tanto os impostos, como os de percurso e até aos seus próprios perigos internos, renascendo deles mais forte e mais focado para a união e preservação da sua história.

Se contabilizássemos as vezes que acontecimentos fora do controlo daquela formação política procuraram condicionar ou desvia-la dos seus objectivos e planos, estaríamos, na verdade, a recordar os momentos mais marcantes e propulsores da coesão da própria Frelimo.

Isto é, aqueles momentos que para a maioria das pessoas seriam o fim ou destruição da Frelimo, para ela, significa uma oportunidade impar de reerguer-se mais forte e mais confiante sobre o seu próprio futuro.

Alongamo-nos um pouco com a introdução para trazer um exemplo recente de um caso de autossuperação da Frelimo: a destruição pela força da natureza do pavilhão de reuniões da Escola Central da Frelimo há sensivelmente cinco ou seis meses.  Esta, aconteceu numa altura em que a Frelimo, já tinha tomado a decisão de que o seu 11o Congresso realizar-se-ia naquele recinto.

Sendo este um evento imprevisto (intempéries), veio, claramente, alterar os planos em curso, pois o pavilhão foi profundamente devastado, o que colocou o desafio de a Frelimo ter que encontrar rapidamente uma solução.

A organização viu-se obrigada a alterar os planos, procurando outras alternativas viáveis dentro da província e cidade de Maputo para acolher o Congresso, o que, faz sentido de ponto de vista de gestão administrativa.

Porém, no âmbito político, a mudança do local previamente acordado, ainda que o motivo seja um caso fortuito, punha em causa o simbolismo da Frelimo, de perante as adversidades, reerguer-se mais forte depois da crise. A não recuperação do pavilhão seria interpretada como uma espécie de capitulação da veia criativa e desafiadora da própria Frelimo: aquele Partido que sempre renasce dos seus próprios escombros.

Ora, como acima escrevemos, o percurso da Frelimo nos mostra que é nos obstáculos que ela mais se revela; o que significa que, se por um lado, houve um evento prejudicial que resultou na destruição da sua catedral, por outro criou-se a oportunidade soberana de aplicar o simbolismo que a caracteriza: reerguer-se das cinzas, qual Fênix.

A Frelimo podia ter aceite o facto como irreversível e procurar um outro local para realizar o seu congresso, o que, seria quanto a nós, o mais fácil; ou então, enveredar pela segunda via que dita que o êxito anda associado ao espírito do sacrifício, o que, significaria a reconstrução do seu pavilhão( e foi de facto o que aconteceu).

Nyusi, mais uma vez surpreende-nos ao conseguir ler estes factos, pois, acabou chamando a si, a responsabilidade de dar continuidade a história do seu partido, pegando em mãos este projecto e avançando na construção de um novo pavilhão, mais espaçoso, mais moderno e consentâneo com os desafios do presente e do futuro da Frelimo .

O pouco tempo que dispunha (o pavilhão foi construído em menos de seis meses), a exiguidade orçamental associada a crise económica nacional e internacional, não o permitiram perder a fé; pelo contrário, vimo-lo mobilizando os membros e amigos da Frelimo dentro e fora a ajudarem nesta empreitada e o resultado foi o que pudemos testemunhar no passado ontem com a inauguração do majestoso Pavilhão.

Com a decisão da reconstrução, Filipe Nyusi passa uma mensagem aos membros a de que o partido não verga diante de dificuldades, que as tarefas deverão ser cumpridas ainda que se mostrem difíceis, e que o resultado a alcançar, se for do benefício da maioria, deve inspirar a luta e motivar os membros para a vitória.

Nyusi estabeleceu com esta reconstrução, uma nova aliança com os membros da Frelimo, pois, interpretou correctamente a liturgia do seu partido. Conquista assim, os corações e mentes dos que ainda duvidavam de si e cimenta a união com os que já acreditavam em si e deixa claro que está temperado segundo os objectivos, visão e missão da Frelimo.

Este é claramente mais um ganho político interno para Nyusi, e cimenta a sua já reforçada imagem, pois isso mostra a ubiquidade da sua liderança no partido dos camaradas, através da demonstração da sua preocupação com a Frelimo nas suas várias vertentes.

Mostra que a política não é só feita de discursos, mas também de acções práticas que demonstram a preocupação da liderança pelo bem-estar dos seus membros.

O novo edifício ficará marcado como um legado de persistência perante as adversidades,um monumento da demonstração de que nenhum obstáculo derruba a decisão de empreender. Esperamos que o Presidente transporte este simbolismo para a Nação: edificando um grandioso e moderno edifício da moçambicanidade, onde todos cabem sem distinção.

Aos membros, esperamos que não se deslumbrem com a beleza arquitectónica do novo pavilhão e esqueçam o essencial: tomar decisões que irão contribuir para o desenvolvimento real e efectivo do nosso país.