Um cancro chamado corrupção!

A corrupção, desde há muito tempo ganhou direito a espaços nobres nas nossas estações de rádio, de tv e nos nossos jornais. Desde há muitos anos tem lugar cativo nos discursos dos nossos dirigentes políticos e dos nossos parceiros de cooperação. Um dia, o Presidente Nyusi chegou a dizer que pelos elevados níveis da corrupção e pela facilidade com que os corruptos abusam dos fundos públicos, até parece que nascemos já destinados a sermos corruptos, até parece que é defeito de nascença desde os nossos avos e descendentes de há seculos.

Tirando ironias ou exageros à parte, o certo é que o nosso país tem na corrupção um dos seus cancros malignos mais visíveis. Com prejuízos incalculáveis à nossa economia e ao seu prestígio nacional e internacional.

O Gabinete de Combate a Corrupção, fez-nos o favor de nos actualizar na semana passada, dando-nos o ponto da situação da corrupção referente ao ano passado. Os números dão para assustar a qualquer um. 610 Milhões de Meticais perderam-se em esquemas fraudulentos e corruptos, com o envolvimento das sempre hábeis mãos dos funcionários e agentes do Estado desonestos e gananciosos.

Por consequência, o Gabinete Central de Combate a Corrupção instaurou 1059 processos-crimes, nos quais tenta esclarecer os contornos do destino dado a fundos públicos, um exercício que como se sabe não é nada fácil de realizar, pois os corruptos fazem grande esforço para não deixar rastos.

O porta-voz do Gabinete Central de Combate a Corrupcao revelou a Imprensa na semana passada que os dados referentes ao ano passado mostram que a corrupcao longe de estar a diminuir, esta a aumentar e os corruptos nao ouvem nem sequer sabem das preocupacoes do Presidente da Republica nem dos doadores sobre o fenomeno. Levam a maxima de que os caes ladram mas a caravana passa.

No âmbito dos esforços do Gabinete de Combate a Corrupção, 155 pessoas foram detidas em processos que correm os trâmites nos tribunais ou nas procuradorias a diversos níveis e outros casos foram arquivados.

É complicada a situação em que o nosso Estado se encontra na frente de combate a corrupção. Terá de haver mesmo um redobrar de esforços para que as tendências actuais de crescimento do fenómeno diminuam.

Para piorar, Cristóvão Mondlane, porta-voz do Gabinete que luta contra a corrupção, diz que não está sendo fácil recuperar os dinheiros que se provam que foram parar às mãos dos corruptos. Ou porque a lei é ineficaz ou pura e simplesmente porque não existe legislação apropriada ou que facilite a recuperação dos bens obtidos com fundos do Estado.

Isso leva-nos a concluir que vai é longa a distancia entre a realidade e a prática no combate a corrupção. Tanta falácia para nada. Tanto discurso político para poucos resultados. Os nossos políticos devem fazer algo em concreto no lugar de discursos de circunstâncias.

Os nossos legisladores devem legislar tendo em conta a realidade e a prática do quotidiano, no lugar de copiarem leis anticorrupção do estrangeiro, que não resolvem o problema concreto em solo Pátrio.

Os funcionários e agentes do Estado deviam ter vergonha de liderarem uma lista onde pontificam delinquentes primários no roubo de fundos públicos, tudo isso na ânsia de enriquecer ilicitamente e em curto espaço de tempo.

Os dirigentes e funcionários do Estado devem dar o exemplo, trabalhando arduamente como era no passado, seguindo a máxima de que eles devem ser os primeiros nos sacrifícios e últimos nos benefícios.

Num país em crise económico-financeira, num País com fracos níveis de produção e produtividade, ainda temos que temer um inimigo comum que se transformou num verdadeiro e doloroso cancro, a corrupção.

Apelamos com veemência aos nossos procuradores e juízes para que apliquem a lei, punindo na medida certa aos que se prova serem corruptos, que se servem dos fundos e bens do Estado para enriquecimento ilícito. Isto é uma vergonha! Temos que dizer basta!

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