Como o Turismo é sabotado em Moçambique!

A Direcção do Serviço Nacional de Migração, decidiu instaurar processos disciplinares contra sete dos seus funcionários, tudo por causa de uma indisciplina daqueles no tratamento a turistas que vinham em trânsito num cruzeiro internacional.

Foi na semana antepassada que sete funcionários da Migração afectos ao Porto de Maputo, deviam ter dado vistos de entrada a cidade de Maputo a quase 600 turistas que passavam por esta cidade por escassas horas a bordo do cruzeiro Marshall Island.

Alegando que as máquinas que deviam emitir ou imprimir os tais vistos avariaram na hora da chegada do cruzeiro, os zelosos burocratas pura e simplesmente não permitiram que os turistas se fizessem à terra e dessem os passeios que pretendiam dar junto da famosa Perola do Indico, tão conhecida pelo mundo fora e tão publicitada pelos nossos oficiais de turismo e pelos nossos diplomatas.

Esta brincadeira de mau gosto irritou os tripulantes do barco, que tinham incluído Maputo no roteiro de volta ao Mundo. Irritou evidentemente os turistas de diferentes nacionalidades que pagaram um pacote turístico que incluía uma passagem e passeio pela cidade de Maputo, a Capital da Republica de Moçambique.

A negligência dos ditos funcionários causou prejuízos aos turistas que não puderam passear por Maputo e, por conseguinte, sentiram-se burlados pelos gestores do cruzeiro e estes pelas autoridades moçambicanas que são o governo do dia.

Mas a pouca vergonha acontecida com os turistas deste cruzeiro é um gesto indigno que se repete todos os dias, um pouco por todo o nosso país. Os turistas, gente fina que paga o seu dinheiro para passear e viver a vida, são maltratados com a sua mola por gente ignorante, maldosa e mal-agradecida que faz sofrer quem quer conhecer as belezas do país.

Nos aeroportos são vários os casos reportados de turistas que sofrem para entrar no país e passearem, gastando o seu dinheiro. Nas praias e nas fronteiras terrestres os exemplos de turistas que são tratados como mendigos tanto pelas autoridades policiais como por agentes alfandegários são tantos que nos obrigam a perguntar porquê, afinal o governo faz tanto barulho promovendo um serviço que não o quer a funcionar?

Os funcionários que sabotaram a entrada em Maputo dos turistas do cruzeiro Marshall Island deviam ser exemplarmente punidos, para que casos idênticos não se repitam no futuro. Deviam, para começar, as suas caras serem conhecidas pelo público, para que este saiba separar o trigo do joio, isto é, não crucificar o governo no seu todo ou o Ministério do Turismo, mas responsabilizar directamente caras concretas e nomes conhecidos.

Infelizmente, o Ministério do Turismo parece estar alheio a esta vergonha, que tem sido notícia internacional em todo o mundo desde a semana passada, com impacto nas grandes revistas de turismo, nas grande e sensíveis organizações ou agências que fazem a gestão hoteleira e turística.

Desde então, não ouvimos nenhuma voz de topo a condenar a vergonhosa e negligente atitude dos sete funcionários por parte do Ministro do Turismo, da sua Vice ou de outros responsáveis deste pelouro. A única voz que parece-nos preocupada com o escândalo é a da porta-voz da SENAMI, que se limitou a anunciar a abertura de processos disciplinares e nada mais.

Se calhar não há nenhum processo que esteja a correr. Se calhar, nunca Moçambique voltara a ouvir falar deste gigantesco escândalo que num país normal daria para expulsões de gente irresponsável que coloca a imagem do país no mundo em chamas.

Os nossos funcionários do Estado devem saber produzir o seu próprio dinheiro. Devem saber que só produzindo o seu dinheiro terão salário no final do mês. Não faz sentido, por conseguinte, pagar o salário do mês de Dezembro a estes funcionários que sabotaram numa sentada milhares de dólares aos cofres do Estado por pura negligência, por pura insensibilidade. Havia alternativas pois à avaria dos laptops. Havia que encontrar uma solução para controlar 600 turistas que nem tinham interesse em ficar em Maputo, pois têm o seu itinerário de viagem definido ha Long time ago.

Senhor Ministro Dunduro, controle a sua gente. Senhor Ministro Basilio Monteiro, controle esses oficiais da Migração. Ponham essa gente a correr com gosto, por amor a Pátria que tem beleza natural para ser apreciada em troca de dinheiro, mas que o inimigo interno não deixa apreciar. Senhores tenham piedade do nosso país.