Ramaphosa dá 48 horas a Jacob Zuma para Abandonar o poder

 

O líder do partido e vice-presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, deu 48 horas ao presidente para deixar o cargo.

O tempo começa a ser curto para o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, depois de o partido que representa e governa o país desde o fim do Apartheid, o Congresso Nacional Africano (ANC), lhe ter lançado um ultimato para deixar o poder num prazo de 48 horas.

Ramaphosa foi eleito líder do ANC no ano passado e desde então têm aumentado os apelos à saída de Zuma. Promete combater a corrupção. Nas ruas, o apoio ao ainda chefe de Estado parece ser cada vez menos.

Apesar dos vários casos em que se viu envolvido, Zuma nunca foi considerado culpado pela justiça. A popularidade do presidente tem caído a pique e resume-se agora ao núcleo duro de apoiantes, sobretudo fora das grandes cidades.

Ao longo da última semana tornou-se perceptível que o fim da governação de Zuma, que lidera os destinos da África do Sul desde 2009, era apenas uma questão de tempo. Praticamente a cada dia que passou, a queda do Presidente ficava mais próxima para logo de seguida ser noticiado que, afinal, as coisas não iriam ser assim tão fáceis.

No dia 4, a liderança do ANC foi à residência presidencial em Pretória para tentar convencer Zuma a retirar-se voluntariamente. Foi a primeira tentativa. E não resultou. No dia seguinte, foi marcado um encontro do comité executivo para se discutir o futuro do Presidente. Depois, o discurso sobre o estado da Nação que Zuma deveria realizar foi adiado e a reunião partidária também. Ramaphosa, que subiu à liderança do partido em Dezembro, estava a negociar com Zuma e estes adiamentos indicavam que o acordo estava pelo menos muito próximo de acontecer.

Neste fim-de-semana tudo voltou para trás. As negociações falharam e o comité executivo do ANC reuniu-se mesmo. No domingo, num discurso na cerimónia que deu início às celebrações do centenário do nascimento de Nelson Mandela, Ramaphosa admitiu que existe “desunião e discórdia” no seio do partido, e que brevemente se chegaria a uma “conclusão” sobre o processo de “transição”.

Exigências

A travar as negociações estarão as exigências de Zuma, que está envolvido em múltiplos casos de corrupção, relativamente ao seu futuro. Isto é, o seu objectivo é evitar que seja colocado na barra dos tribunais.

Zuma já deixou claro que não deixará assim tão facilmente a presidência antes de terminar o seu segundo e último mandato, em 2019. Por seu lado, Ramaphosa pretende destituí-lo já para começar a preparar terreno para as eleições do próximo ano e evitar que o ANC seja castigado nas urnas devido aos quase dez anos de governação onde se multiplicaram as suspeitas criminais e se registou uma degradação da economia.

Uma saída acordada entre o partido e Zuma foi a opção que Ramaphosa mais procurou e, naturalmente, a que melhor serviria os interesses do partido. Se o ainda Presidente rejeitar um pedido de destituição por parte do ANC, o líder partidário terá de enveredar pelo caminho que mais queria evitar: avançar com uma moção de censura no Parlamento e juntar-se à oposição para o fazer cair.

Mas isto pode ter efeitos nefastos, pois, apesar de toda a polémica em que está envolvido, Zuma conta ainda com uma forte base de apoio não só no eleitorado mas também no interior do partido. Ora, a destituição através do Parlamento seria vista como uma humilhação o que provocaria o aprofundamento das divisões no ANC e o descontentamento do eleitorado ainda fiel a Zuma.

Oposição movimenta-se

Ao longo das horas em que os mais de cem membros do comité executivo do ANC se mantiveram reunidos, os partidos da oposição encontraram-se para definir a sua estratégia. E o que dali saiu foi um plano para atingir Zuma e Ramaphosa em simultâneo.

Segundo explicaram numa conferência de imprensa, os líderes da oposição querem antecipar a moção de censura marcada para dia 22 de Fevereiro já para esta semana (isto se Zuma se mantiver no poder depois do encontro do comité executivo).

Além disso, a oposição pediu também que fosse votada a dissolução do Parlamento o que, a acontecer, implicaria a realização de eleições antecipadas aproveitando assim a fragilidade do ANC. Publico

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