Uma lição para Vuma e companheiros de verbo irresponsável!

O Presidente da CTA, Agostinho Vuma, está na boca do povo por ter defendido medidas impopulares para os nossos funcionários do Estado. Vuma está na ribalta nos dias que correm e só ombreia com Robert Mugabe, em termos de pressão mediática.

O líder da CTA sugeriu que os magros subsídios que são pagos aos funcionários do Estado, sob forma de décimo terceiro mês, fossem cortados no final deste ano e que os aumentos salariais fossem congelados. Esta, em sua opinião, é uma das formas de redução ou contenção de despesas do Estado, para reduzir o déficit orçamental conhecido. É, para Vuma e para a CTA, a fórmula mágica para a austeridade, para ver se a economia recupera da crise.

Ora bolas! Nós entendemos que Agostinho Vuma e a sua CTA têm direito a opinar sobre os mais variados temas da vida política, económica e social do país. Afinal, a nossa Constituição da República dá direito à liberdade de pensamento e opinião. Só que, como em todas as esferas, também na CTA deve ser emitida opinião com responsabilidade, tendo em conta os impactos que essa opinião ou sugestão podem trazer para a vida da nação.

As receitas de Agostinho Vuma são as mesmas que os técnicos do Fundo Monetário Internacional impõem  a países em crise económica e essas receitas, regra geral, afectam as camadas mais desfavorecidas das sociedades, no caso concreto de Moçambique, a classe trabalhadora e sobretudo os funcionários do Estado. Cortem sobre os mais pobres, taxem os mais fracos e deixem os mais fortes em paz. Os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres descem pelas escadas abaixo.

Ao emitir as suas opiniões ou sugestões da maneira que o fez, Vuma pareceu-nos ser um infeliz e inoportuno porta-voz da CTA, numa altura em que o Governo rema contra todas as marés, para ver se o País, apesar dos seus erros, não seja tomado de vez pelos patrões da finança mundial.

Ao que percebemos, o Governo tem estado a fazer um jogo de cintura, a negociar com o Fundo Monetário Internacional a retoma do seu relacionamento. Essa negociação deve ser serena, séria e responsável.

Daquilo que percebemos, Vuma veio pôr achas numa fogueira já em chamas, aumentando mais as suas labaredas, sem necessidade nenhuma. Resultado: a opinião pública crucifica o homem e com toda a razão.

Agostinho Vuma é líder de uma associação poderosa. Muito influente tanto dentro como entre os parceiros de cooperação. Prova disso são as romarias que embaixadores e políticos fazem à sua sede.

Uma associação com o peso que a CTA  deve ser responsável na emissão das suas opiniões ou pareceres, para não perigar o País e a sua estabilidade. Qualquer dia, estes funcionários públicos, hoje desprezados, podem marchar sobre a Avenida Patrice Lumumba e criar danos físicos à CTA. Qualquer dia, estes funcionários sobre quem se pede, hoje, retirar os míseros subsídios de 1000 Meticais ou o pobre 13ͦ mês podem se rebelar e perder a paciência.

Agostinho Vuma! Estes funcionários recebem mal. Não trabalham porque não têm moral. Muitos deles se metem na corrupção, porque querem levar algum extra para casa, porque o habitual e mensal salário não chega.

A reacção, ao pronunciamento exagerado contra Vuma tem a ver com o facto de ele ter tratado matéria tão sensível como se fosse gozação. Não pode ser assim.

Deixemos que o Governo, o FMI e até os parceiros sociais, em volta da concertação social tomem decisões sobre aumentos salariais. Não agitemos ondas. Esta é uma lição para Vuma e companheiros seus que pensam pequeno. Bem feito!

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