Campanha de retenção escolar da rapariga chega a Changalane

Pelo menos 270 raparigas da Escola Secundária de Changalane, na Província de Maputo, beneficiaram de kits de higiene, numa acção que visa reduzir os índices de desistência escolar da rapariga, que muitas vezes têm como principal causa a falta de recursos financeiros para garantir o bem-estar destas. Segundo as beneficiárias, este gesto vai contribuir para o seu desenvolvimento integral.

Os Kits compostos por material escolar, produtos de higiene pessoal e alimentos, orçados em 1500 Meticais cada, foram entregues pela Source Capital e a Fundação Rizwan Adatia com vista a garantir a permanência da rapariga na escola.

Aliás, segundo dados divulgados, as raparigas perdem 59 dias por ano, sem ir a escola, por não terem como cuidar de se durante a menstruação. Este facto tem sido uma das causas do aumento dos níveis de desistência/reprovação das raparigas no ensino secundária.

A entrega dos donativos foi antecedido por uma palestra que visava alertar sobre o perigo de perder as aulas, bem como as consequências dos casamentos prematuros, que de acordo com os dados do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2011, em Moçambique, uma em duas raparigas é forçada a casar antes de 18 anos de idade.

Para as beneficiárias do kit de higiene, este donativo vai reduzir os índices de desistência da rapariga na escola. Domingas Fomba, que falava em nome deste grupo, avançou que devido às condições financeiras de muitas famílias do Posto Administrativo de Changalane, que têm na agricultura a sua principal fonte de renda, muitas raparigas quando estão no seu ciclo menstrual são obrigadas a faltar às aulas.

“Mais do que o donativo que nos foi entregue, o ensinamento aqui deixado vai ajudar muitas raparigas a prevenirem-se de gravidezes precoces e a cuidarem de se durante o período menstrual”, disse.

Acrescentou, deixando um recado para as raparigas, que “o único método que existe para garantir um futuro melhor, quer para a rapariga, quer para os seus filhos é estudar”, disse Fombo.

Por sua vez, o director da Source Capital Pedro Coutinho avançou que esta é uma iniciativa que visa garantir a escolarização da rapariga e deixar alguns ensinamentos com vista ao desenvolvimento desta camada social.

“O que nós tentamos fazer aqui é marcar a diferença, através da educação que acabamos dando e contribuir para a escolarização destas raparigas”, disse Coutinho.

Para Rizwan Adatia, patrono da Fundação, esta é mais uma actividade que se enquadra no compromisso assumido pela fundação que dirige, com vista a aliviar as famílias carenciadas. Assim, pelo menos cinco escolas já beneficiaram desta campanha e espera que de 2018 até 2022 o programa abranja, pelo menos, cinquenta mil raparigas em situação de vulnerabilidade.

Para o director da escola, André Nhamussa, é de louvar este tipo de iniciativas e espera que a parceria, ora criada, com a fundação, se estenda para outras áreas.

A professora de biologia, que orientou a palestra, embora sem avançar números, disse que uma das preocupações da escola é o crescente número de raparigas que, muitas vezes, são obrigadas a abandonar o ensino devido a gravidezes precoces.

Refira-se que foram inscritos para o presente ano, na Escola Secundária de Changalane, 859 alunos, distribuídos pelo primeiro e segundo ciclo e no ensino à distância. Destes 420 são raparigas.