Alice Mabota, tal como Mugabe!

Segundo rezam crónicas avulsas em diferentes órgãos de comunicação social, a fundadora da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos, Dra. Alice Mabota vive dias de profunda angústia. Mabota tem vários problemas por resolver, todos eles ligados a gestão danosa da Liga que ajudou a fundar e a dar prestígio nacional e internacional.

Fala-se de dívidas para com os colaboradores da Liga, que durante anos não viram os seus salários a serem pagos a tempo e horas. Fala-se de litígio em relação a sede da instituição que parece estar a caminho de leilão, depois de uma decisão tomada por um tribunal. Fala-se, em fim de tudo mau, para o bom nome e reputação da sempre activa Alice Mabota.

Alice Mabota, desde os anos 90, fez passar junto da opinião pública nacional e internacional, a imagem de uma mulher que luta pela justiça, de uma dirigente que promove e defende a democracia na sua plenitude e pugna por práticas de boa gestão.

Foi assim que a conhecemos tanto em eventos públicos como em entrevistas. Alice Mabota sempre se colocou do lado dos desfavorecidos, criticando governantes ou dirigentes políticos ou de organizações da sociedade civil que gerem mal os bens tanto do Estado como das associações ou organizações.

Aliás, foi tendo em conta que ela própria era exemplo de "boa governação" que em algum momento se candidatou a caros públicos como o de gestão autárquica de Maputo. Ela própria acreditava que era uma mulher ou dirigente imaculada, um exemplo a seguir para quem quer dirigir instituições de utilidade pública.

Afinal esta imagem era de todo errada. Alice Mabota tinha algumas semelhanças com dirigentes que noutras paragens se rotulam de autoritários, para não falarmos de ditaduras ou de métodos pouco ortodoxos na corporate governance.

 Segundo se sabe, Mabota não aceitava lá muito bem a ideia genial em democracias, que é a alternância nas lideranças das instituições. Daí ter ficado como Presidente vitalícia da Liga desde a sua fundação, até ser praticamente empurrada contra vontade.

Segundo se ouve, Alice Mabota não aceitava, de ânimo leve, críticas à sua actuação como gestora da LDM. Era adversa a crítica, por mais que esta fosse construtiva. Daí ter criado inimizades internas que acabaram com a sua destituição, em assembleia geral competente para o efeito.

Nos só podemos lamentar o que aconteceu à Dra Alice Mabota, que não soube fazer as leituras em tempo útil, como por exemplo a leitura de que em democracias, os dirigentes têm mandatos concretos por cumprir e depois desses, eles dão lugar a outros líderes para refrescarem as instituições.

Alice Mabota não conseguiu fazer a diferença entre os tantos dirigentes que apenas discursam, mas não transformam o discurso em acto prático, nomeadamente quando se trata de exercitar a democracia.

Durante anos, ouvimos Mabota a ser cáustica demais para com os dirigentes governamentais da Frelimo, defendendo, teoricamente a boa governação, a transparência, denunciando a corrupção e o desmazelo.

Afinal, no interior da sua própria casa, não havia modelo nenhum para ser copiado. Afinal, a Liga dos Direitos Humanos era dirigida segundo métodos censuráveis, no mínimo...

Entre Alice Mabota e Robert Mugabe, do Zimbabwe, não existem lá muitas diferenças. Tinham tudo para dar certo e para serem recordados como heróis, mas acabam manchando o seu próprio percurso, por atitudes de arrogância, ditatoriais e de alguma irresponsabilidade.

Que o caso Alice Mabota versus gestão da Liga dos Direitos Humanos sirva de lição para todos os que lideram associações cívicas, para que saibam respeitar os estatutos das organizações, as leis da República e governem com transparência. Sobretudo que saibam sair a tempo de serem homenageados.

Lamentamos que uma referência nacional e internacional no campo do Direito e dos Direitos Humanos esteja a terminar assim: agonizada e cabisbaixa. Nem ela, nem a Liga muito menos o pais merecem este fim triste da nossa defensora do povo.

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